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Jogo dos 7 erros

bo rafa

Welcome to the jungle

Este post está atrasado, eu sei. Mas é que a programação do blog teve que ser refeita devido a umas goteiras aqui em casa, que insistiam em pingar água da chuva bem em cima do computador. Quando eu finalmente tive a brilhante ideia de pendurar um balde no teto pra parar o pinga-pinga, as linhas do meu editor de textos começaram a se soltar, e eu não conseguia escrever. Fora que a inspiração se recusava a dar as caras, reclamando desse teclado vagabundo que eu uso pra digitar. Não é fácil.

É claro que tudo isso não passa de uma ficção inspirada nos desconcertantes acontecimentos sucedidos no Brasil Open. Voltando um pouco no tempo, eu chego a me lembrar com saudade dos tempos em que minha única implicância com o ATP canarinho era sua disputa de espaço com o Carnaval no calendário. Bons tempos em que o que me envergonhava era o tímido remelexo dos tenistas ao lado de nossas opulentas mulatas. A gente era feliz e não sabia.

Pois o Brasil Open 2013 foi pródigo em motivos para se envergonhar. Um torneio que tinha tudo para se consolidar como um dos grandes eventos esportivos do país, contando com a presença maciça do público, com grandes nomes (Rafael Nadal, Nicolás Almagro e Juan Mónaco, só pra citar os top 20) e ampla cobertura da mídia, acabou sendo marcado por bizarrices como baldes no teto, espectadores acomodados nas escadas e cozinhando no calor escaldante dentro do ginásio. Não foi preciso perscrutar muito pra encontrar os 7 erros:bo martelo

Martelinho em quadra: pode isso, Arnaldo? 

1- O ginásio do Ibirapuera: teve quadra com linha soltando, goteira resolvida na base da gambiarra e barrão no caminho entre uma quadra e outra. Não teve ar condicionado nem infraestrutura pra abrigar um evento que atraiu mais de 40 mil pessoas na semana do torneio.

2- As bolas: causaram rejeição entre os tenistas, e até Nadal reclamou. A bola usada no torneio, até onde li, é um modelo baratinho da Wilson. Não custava tanto assim ser menos várzea na escolha da bola, certo?

3- Superlotação: não bastasse o ginásio ser uma sauna, em alguns jogos houve público além da capacidade. Como resultado, pessoas que pagaram um valor nada barato por um ingresso tiveram que se sentar nas escadas, invadir a área destinada à imprensa, ou ficar em pé mesmo. A organização do torneio negou “overbooking” e disse que pode ter havido falsificação dos ingressos — como se isso fosse amenizar as coisas de alguma maneira.

4- (Des)organização do torneio e protocolo: simplesmente não se deixa um bicampeão (hoje tri) do torneio, campeão de Grand Slam, um dos melhores tenistas brasileiros da atualidade, além de gente boníssima, passar o torneio inteiro enfiado em uma quadra secundária. Faltou consideração com Bruno Soares, e ficou feio. A cerimônia de premiação, com aquelas plaquinhas que ninguém conseguia manter abertas, e a profusão de políticos e papagaios de pirata que levantaram vaias efusivas da plateia, também não agradou.

5- Vaias: sim, seu torcedor de tênis mal educado, você também contribuiu para o fiasco do Brasil Open. O mundo inteiro está até agora tentando entender por que diabos o tenista número 1 da casa é tão vaiado no seu próprio país. Bellucci estava jogando mal, apático, errático, enfim, Belluciático? Então vamos torcer, animar, aplaudir, gritar, dar força de alguma maneira. Mas não. Torcedores foram ao Ibirapuera para reproduzir na realidade o bullying virtual que Thomaz já sofre diuturnamente. É realmente um exemplo de comportamento: reclamamos tanto do nosso tenista número 1 e, quando temos a oportunidade de ajudá-lo, agimos como babacas.

bo thomaz

Ganhando ou perdendo, há que se ter respeito

6- Desculpas esfarrapadas: o ginásio do Ibirapuera virou uma espécie de Gabriela Cravo e Canela. Ele não tem estrutura porque “eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim… Ibirapuééééééra”. Os problemas que existem são culpa do governo estadual, já que o ginásio é público. Provavelmente quem tentasse fazer alguma melhoria seria fuzilado em praça pública como inimigo do estado, certo? Ah, não, mas as bolas eram padrão ITF. Quem se importa com um probleminha aqui e ali quando a gente teve Nadal e tanta gente compareceu pra prestigiar o torneio? Desculpem, mas é bobagem demais pra aturar.

7- Mico do presidente: o “cabeça” da CBT botou a culpa no governo de São Paulo, fez seus ataques de praxe aos “inimigos” do tênis brasileiro, parabenizou a organização do Brasil Open (!), reclamou de inveja e simplesmente continuou embarassing himself como já é sua prática usual no Twitter. Como se o tênis nacional precisasse passar mais vergonha.

bo presidente

Sem comentários

All in all, apesar dos pesares, dá pra se tirar algumas conclusões interessantes do Brasil Open. A consolidação de São Paulo como sede do torneio está se mostrando a cada ano uma escolha mais acertada. A cidade tem um público de tênis abundante e interessado. O contrato com um grande patrocinador, que permitiu a vinda de Rafael Nadal, também está fazendo maravilhas pelo torneio. As visitas ilustres estão garantidas, agora só falta arrumar a casa.

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O Retorno do Rei

nadal return

Vai encarar? 

O Rei do Saibro voltou. Mais especificamente, no saibro. No ATP 250 de Viña del Mar, no Chile, onde Rafa alcançou a final e — pasmem — perdeu.

Às vezes eu tenho a impressão de que uma grande parte dos fãs de tênis ainda não conseguiu superar o fim da Guerra Fria. Pra essa gente, o mundo simplesmente tem que ser bipolar. Ou você é Federer, ou é Nadal. Ou você gosta de saibro ou de quadra rápida. Ou é jogo de base ou saque e voleio. Ou é Nike ou é Adidas. Ou é ATP ou é WTA. Cansativo. E agora, com a volta de Nadal, o senso comum se divide em dois novamente: ou a derrota do Rei significa que seus dias no tênis estão contados, ou não passa de um deslize desimportante no processo de retorno após 7 meses longe das quadras. Mas talvez, apenas talvez, não seja uma coisa nem outra.

Pessoalmente, estou vibrando com a volta de Nadal. O tênis é melhor com ele, seu jogo, seu talento, sua raça, sua força, sua humildade, seu carisma. Pra mim, o número 1 do mundo, Novak Djokovic, ainda está devendo entregar essa missão cumprida: suplantar o espanhol no saibro. Andy Murray, que desponta como protagonista do circuito, também deve domar o touro miúra pra mostrar a que veio. A temporada de saibro — ame-a ou não — simplesmente não podia ficar órfã, sem dono, assim de uma hora pra outra.

A forma como Rafa retornou, na minha opinião, diz algumas coisas. Antes de mais nada, não acho nada fora do normal um tenista não conseguir vencer seu primeiro torneio após ficar tanto tempo parado. Aliás, acho que apenas por estarmos falando de um monstro como Rafael Nadal, alguém chega a se surpreender com isso. Tudo bem que era um ATP 250 com uma chave pra lá de furreca (sorry, envolvidos). Mesmo assim, não dá pra esperar que o espanhol saia copando tudo por aí. Apesar do retorno, Nadal ainda reclama do joelho, e sua movimentação em quadra está longe do seu normal. O próprio espanhol parece não ter pressa e admite que a reconquista de seu velho jogo será um processo gradual. Que, espera ele e esperamos nós, terá seu ápice em Roland Garros.  É preciso ter paciência. Nadal não está jogando a gira sul-americana pra somar pontos no ranking ou adicionar troféus à sua estante. O espanhol quer ganhar ritmo, sentir o jogo, adequar sua preparação. Este é o momento em que derrotas serão aceitáveis, e não quando houver 2 mil pontos em jogo.

chaaaaato

O fim de Nadal: papo chaaaaato… 

Acho que ainda não será dessa vez que os profetas do apocalipse vão acertar o palpite sobre o fim de Nadal. O espanhol vem lidando com problemas, lesões e dor há muito tempo, e acho que simplesmente não é da sua natureza desistir sem batalhar um bocado antes. Por outro lado, neste momento é impossível saber se Rafa será capaz de manter a coroa de Rei do Saibro, ou sequer permanecer no top 4 do ranking. Embora ninguém duvide da força mental do espanhol, existem limites físicos que podem se tornar intransponíveis até mesmo para Nadal. Se vai ser o caso ou não, ainda é cedo pra dizer. Só o que eu sei é que o Rei voltou. Nadal está a postos diante da fortaleza, raquete em punho, guardando o seu reino. Quem for capaz, que o desafie.