O Retorno do Rei

nadal return

Vai encarar? 

O Rei do Saibro voltou. Mais especificamente, no saibro. No ATP 250 de Viña del Mar, no Chile, onde Rafa alcançou a final e — pasmem — perdeu.

Às vezes eu tenho a impressão de que uma grande parte dos fãs de tênis ainda não conseguiu superar o fim da Guerra Fria. Pra essa gente, o mundo simplesmente tem que ser bipolar. Ou você é Federer, ou é Nadal. Ou você gosta de saibro ou de quadra rápida. Ou é jogo de base ou saque e voleio. Ou é Nike ou é Adidas. Ou é ATP ou é WTA. Cansativo. E agora, com a volta de Nadal, o senso comum se divide em dois novamente: ou a derrota do Rei significa que seus dias no tênis estão contados, ou não passa de um deslize desimportante no processo de retorno após 7 meses longe das quadras. Mas talvez, apenas talvez, não seja uma coisa nem outra.

Pessoalmente, estou vibrando com a volta de Nadal. O tênis é melhor com ele, seu jogo, seu talento, sua raça, sua força, sua humildade, seu carisma. Pra mim, o número 1 do mundo, Novak Djokovic, ainda está devendo entregar essa missão cumprida: suplantar o espanhol no saibro. Andy Murray, que desponta como protagonista do circuito, também deve domar o touro miúra pra mostrar a que veio. A temporada de saibro — ame-a ou não — simplesmente não podia ficar órfã, sem dono, assim de uma hora pra outra.

A forma como Rafa retornou, na minha opinião, diz algumas coisas. Antes de mais nada, não acho nada fora do normal um tenista não conseguir vencer seu primeiro torneio após ficar tanto tempo parado. Aliás, acho que apenas por estarmos falando de um monstro como Rafael Nadal, alguém chega a se surpreender com isso. Tudo bem que era um ATP 250 com uma chave pra lá de furreca (sorry, envolvidos). Mesmo assim, não dá pra esperar que o espanhol saia copando tudo por aí. Apesar do retorno, Nadal ainda reclama do joelho, e sua movimentação em quadra está longe do seu normal. O próprio espanhol parece não ter pressa e admite que a reconquista de seu velho jogo será um processo gradual. Que, espera ele e esperamos nós, terá seu ápice em Roland Garros.  É preciso ter paciência. Nadal não está jogando a gira sul-americana pra somar pontos no ranking ou adicionar troféus à sua estante. O espanhol quer ganhar ritmo, sentir o jogo, adequar sua preparação. Este é o momento em que derrotas serão aceitáveis, e não quando houver 2 mil pontos em jogo.

chaaaaato

O fim de Nadal: papo chaaaaato… 

Acho que ainda não será dessa vez que os profetas do apocalipse vão acertar o palpite sobre o fim de Nadal. O espanhol vem lidando com problemas, lesões e dor há muito tempo, e acho que simplesmente não é da sua natureza desistir sem batalhar um bocado antes. Por outro lado, neste momento é impossível saber se Rafa será capaz de manter a coroa de Rei do Saibro, ou sequer permanecer no top 4 do ranking. Embora ninguém duvide da força mental do espanhol, existem limites físicos que podem se tornar intransponíveis até mesmo para Nadal. Se vai ser o caso ou não, ainda é cedo pra dizer. Só o que eu sei é que o Rei voltou. Nadal está a postos diante da fortaleza, raquete em punho, guardando o seu reino. Quem for capaz, que o desafie.

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3 ideias sobre “O Retorno do Rei

  1. Mari Anjos

    Povo cobra muito né… e sabemos que para um profissional ficar 7 meses parado é muito complicado, mas o Nadal é um daqueles jogadores que estão além de qualquer coisa.Eu acho que ele tá fazendo a coisa certa, voltando devagar(?) pois já voltou chegando á final do torneio. To torcendo muito por esta volta do Nadal, quem gosta de tenis agradece.

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  2. Juliana

    Ótimo texto!

    O carinho que eu sinto por esse espanhol é enorme. Eu tentei separar a razão do sentimentalismo, mas foi impossível. Perdi um pouco o gosto no esporte sem uma figura dessas em campo nesses últimos tempos.
    Ele tornava tudo mais difícil, tornava o top 3,4,5, num grupo quase que cristalizado, intransponível. A competitividade do circuito dava vida ao esporte, aos fãs.
    No livro dele, no auge, está um herói invencível, batalhador e, como você bem citou ( e me dói -muito- o coração de admitir), limites físicos infelizmente podem minar a conquista de alguns títulos que, há alguns anos, seriam mais que possíveis. Minha esperança, porem, é a de que o guerreiro ainda está lá. Diligente, persistente. Um touro.

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