Ainda absoluto

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O campeão

Se a final feminina foi tão lacrimogênea quanto um livro do Nicholas Sparks, a final masculina foi só sorrisos. Bom, talvez não para Andy Murray. Mas ele está sempre fazendo careta mesmo.

Novak Djokovic se consagrou tetracampeão do Australian Open, com 3 títulos em sequência. Seria um clichê dizer que o sérvio mostrou por que é o número 1 do mundo na final contra Murray, mas foi exatamente isso que aconteceu. O britânico se manteve consistente no saque nos dois primeiros sets, com um aproveitamento absurdo de primeiro serviço. A partida parecia fadada a seguir no ritmo de longas trocas de bola do fundo da quadra até o quinto set. Mas foi aí que Djokovic ousou dar o passo à frente que caracteriza os grandes campeões. Após dois tiebreaks, um pra cada lado, Murray sacava em 3-4 para igualar o 3.º set. Djokovic se defendeu brilhantemente no saque do britânico e contra-atacou. Com uma bola na rede de Murray, o sérvio conseguiu o primeiro break da partida. Esse foi, pra mim, o turning point de Djokovic. Era o momento, a hora certa de quebrar. A partir desse game, o sérvio mostrou que estava ali para ir pra cima, para ganhar. E foi o que aconteceu. Nole não vacilou em seu game de saque e fechou o terceiro set em 6/3. No quarto set, o domínio do número 1 já era absoluto e a frágil fortaleza mental de Andy Murray já estava completamente desmoronada. O jogo se encerrava em 3 sets a 1 para confirmar o 6.º título de Grand Slam da carreira de Novak Djokovic.

No final das contas, venceu quem mostrou o melhor tênis, especialmente nos momentos decisivos. Djokovic já havia provado por que era o número 1 do mundo quando ganhou a batalha épica de 5 horas contra Stanislas Wawrinka, um jogo que certamente estará entre os mais acessados do AO Vault daqui a pouco. Já Andy Murray, que não perdeu um set sequer até a semifinal, teve uma campanha parecida com a de Maria Sharapova na chave feminina: resultados arrasadores, mas contra adversários em sua maioria inexpressivos. Seu primeiro desafio de verdade, o belo jogo contra Roger Federer na semifinal — onde, aliás, Murray jogou muito mais do que na final — contribuiu para uma percepção enganosa de favoritismo. Na hora H, o britânico não trouxe seu melhor para a Rod Laver Arena.

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O comunicativo

Há que se dizer que Murray foi um gentleman no discurso de vice-campeão. Eu adoraria — mesmo — que ele tivesse um comportamento assim também dentro de quadra. Suas caretas, xingamentos e arroubos de irritação chegaram a ser hilários. Talvez pra ele seja uma forma eficiente de extravasar a tensão durante o jogo, mas eu ainda não consigo entender como aquilo pode beneficiar alguém. Em mim, que estou vendo de fora, o comportamento em quadra do britânico provoca um misto de incômodo, irritação e acessos de riso. Eu simplesmente não consigo torcer por alguém que está o tempo inteiro brigando com o jogo porque eu amo aquele jogo. Mas acima de tudo me dá a nítida impressão de que ele consegue apenas criar uma atmosfera de negativismo ao seu redor. E impedir que seu belo tênis domine a cena.

Bem, duas semanas se passaram e é hora de dizer um “até breve” para o Australian Open. Fazendo jus a um de seus apelidos, foi um Grand Slam feliz. Que premiou a competência — os títulos de simples e duplas masculinos e femininos foram para os cabeças-de-chave número 1. Mas que mostrou também que o tênis transcende a frieza dos números e resultados. Não demore a voltar, Australian Open! Já estamos com saudades.

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